quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A dor de amor dá e passa. Mas a dor da perda é como um vírus mutante. Está sempre se transformando em saudade...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Dèja vú

Numa das sessões com a terapeuta disse que sentia muita falta do meu pai. E que gostaria que meus filhos conhecessem o avô, soubessem como a presença dele foi importante para minha formação e como poderia ser na deles. Queria que meus filhos pudessem ter a oportunidade de ter a companhia e partilhar da sabedoria dele. Minha vontade era de dar a eles, toda a infância feliz que tive proporcionada pelo meu Paiaço. Mas não tenho como fazer isso. Não mais...


E a saudade só aumenta assim. Mas também, estou projetando uma falta no futuro. Eu sei... Também consigo explicar isso. Às vezes, o tempo atual não é suficiente para sustentar essa saudade. Daí eu olho pra frente e imagino como poderia ser, mas que nunca será.

A contra resposta que tive da psicóloga é que só eu sinto falta. Que, meus filhos, caso os tenha num futuro próspero, nunca sentirão falta daquilo que não conhecerão. Sim, faz sentido. Mesmo assim me choquei com a constatação. E, por aquele momento, a indignação e insatisfação por algo que entendi como minimização da minha dor fez com que esquecesse a ausência do meu velho.

Por hora também segui seus conselhos: lembrei dos momentos felizes. E são tantos... Afinal foram pouco mais de 35 anos de convivência e muitos acontecimentos neles. Só que a saudade é algo que não finda, embora a dor, essa ameniza ou se extingua.

Começo a pensar que questões que envolvem vida e morte se renovam em ciclos. Na mesma vida e sobre a mesma morte. Que nem dèja vú.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Tristeza não tem fim. Felicidade sim...

É de ficar triste quando recebemos noítica como essa do acidente de trânsito que vitimou 33 pessoas no interior da Bahia, nessa semana. Ainda mais nesse período de festas de final de ano, quando tudo é motivo de alegria. Quando tudo deveria ser paz, saúde e amor, apenas.
Não gosto de telejornais por causa disso. Imagens e sons refletem muitas tragédias numa só edição. É morte, prisão, violência, preconceito e discriminação, injustiça, corrupção... Fofocas e mais fofocas que não contribuem para nada além de uma propaganga irracional desses atos. E de tristeza.
Em um momento de muita alegria, meu coração ficou cinza pela dor que devem estar consumindo essas famílias. Filhos, pais, sobrinhos, netos, cunhados, irmãos, maridos: trabalhadores. Todos mortos. Prefiro pensar que Deus preparou algo melhor para esses caras. E para essas mulheres, que agora, ficaram solitárias. Repentinamente, e, espero, rapidamente, um pouco àsperas.
E agora, nesse momento, só penso em um pedido ao Papai Noel: luz à esses espíritos e à esses corações abandonados.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Convenções

Finados. Quem precisa de uma data para lembrar seus mortos? Pessoas que nos foram queridas, amadas, nunca são esquecidas. Estão sempre na memória e no nosso coração. E a saudade, essa ingrata, não nos deixa esquecer por um só momento, que quem ocupava um espaço cativo em nosso peito, agora não está mais conosco. Conhece outro plano e possui outra massa corpórea, que não essa casca feia que insistimos em maltratar diariamente.
Hoje, parece que todos se sentem obrigados a visitar túmulos vazios. Espanar a lápide. Trocar os vasos de flores secas por um novinho. Mas esquece que até essas plantas precisam ser regadas frequentemente para continuar enfeitando o lugar que jazem os amigos, os pais, os tios, os primos, os avós ou até mesmo os filhos. Lugar que falsamente habitam nossos queridos. Talvez, para os parentes mais sabidos, a oferta de flores artificiais. Mas, até mesmo essas, juntam pó.
Prefiro, então, prestar - digamos - homenagem aos meus mortos fazendo reverência as minhas memórias. E elas são muitas. De alegrias densas, felicidades intensas, discussões ruidosas, afrontas juvenis, de problemas compartilhados, de desabafos, de perdões, de mimos, de parabenizações. São permanentes. Bonitas em sua maioria. Feinhas em algumas rixas. E normais no dia a dia que tivemos em vida.
Eu, ao menos, não preciso do 2 de novembro para lembrar meu Paiaço. Eu lembro dele todas as semanas, em várias circunstâncias, em momentos de conversas, de reza. Lembro a cada dia 17, pois tenho o péssimo hábito de contar o tempo em que estamos distantes. Lembro, agora, a cada Reveillon; no 28 de fevereiro; a cada Carnaval; a cada Páscoa; a cada 7 de setembro; a cada 11 de setembro; no Dia das Crianças; a cada 1 e 8 de dezembro; a cada Natal. Pra quem ama, é quase todos os dias.
Para quem, assim como eu, tem muitos motivos para lembrar seus mortos sempre, hoje não significa nada. Só convenções. E elas não nos interessam mais.

domingo, 23 de outubro de 2011

Pai, muito obrigada. Por tudo! Eu te amo demais meu velho.

sábado, 1 de outubro de 2011

Obrigada God, pelos bons momentos!

Pai, quando volto no tempo e lembro de momentos majestosos na minha vida, lembro de agradecer a Deus.
Hoje, ao procurar uma postagem antiga no meu Cor de Rosa e Carvão, pude mais uma vez me certificar disso. Se hoje eu sou uma mulher feliz, realizada em alguns aspectos e com um monte de histórias bacanas para contar é por que Deus me permitiu. É por que Ele nos permitiu meu velho. Pois, sem que tu estivesse no meus destino, na minha paternidade, talvez a história fosse outra.
Então, antes que eu me esqueça, obrigada meu Paiaço. E obrigada meu God, por todos os meus momentos "Roberto Carlos" - lindos! Obrigada por ter posto meu velhinho no meu trajeto, como minha estrela guia. Obrigada!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Pessoas!

Pai, encontrei gente que há anos não tinha contato. Foi muito legal. Pessoas do tempo que estagiei na C Três Es. Veja bem meu velho: estou formada desde 2002 e meu último estágio foi no Daer, durante dois anos. Então, lá se vão 10 anos longe desse povo - espetacular!

Incrível como a gente esquece pessoas que foi tão próxima durante um determinado período. Seres que lhe foram caras... É meu velho, deve se lembrar que chamamos isso de vida. Vida bandida!

sábado, 10 de setembro de 2011

Nós somos de virgem

Eu sou do dia 7 e meu Paiaço do dia 11. Amanhã ele estaria fazendo 76 anos se estivesse nesse plano. E, quando vivo, ele fazia questão de comemorar a minha troca de idade. Não media esforços para isso.

Nos quatro anos que estive em Videira, em um decidi ficar na cidade. Fiquei sozinha. Grande besteira o que fiz. Enorme! E tenho vergonha de revelar o motivo. Vergonha de mim mesma de ter trocado um momento importante por nada, literalmente.

Mas tudo na vida é aprendizado. Entendo assim agora. E que arrependimento é bom para a gente saber que a merda feita uma vez, não pode ser repetida. É realmente burrice!

Por isso que passo meus aniversários com minha família, sempre. Por que eles me amam, incondicionalmente, e me apoiam em tudo que decido. Me orientam pro caminho do bem [e sim, eu me desvirtuo facilmente].

Então meu velho, fica tranquilo, por que o teu trabalho continua sendo feito. Eu sei que estou um pouco passada da idade para ser guiada como uma criança - e ainda ganhar festinha de aniversário. Mas a saga continua meu Paiaço. E bem feita! Mamy ofereceu uma confraternização que foi pra lá de divertida, regada de ceva gelada, caipira de steinhager, uísque e comida gostosa. E amigos!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Saudades não tem fim...

Ao lado de Deus, eu sei que tu estás bem melhor do que nessa vida mundana, ao qual adoramos, e nem ao certo sabemos por que. Mesmo assim, essa consciência não me faz sentir menos saudosa, meu velho.

E, agora que não estás mais aqui, há menos uma pessoa no Mundo a quem posso dizer Eu Te Amo, com certeza absoluta.

domingo, 7 de agosto de 2011

Ainda bem!

O próximo domingo será o segundo que passamos separados. Mas, ainda bem que tive tempo de ti dizer, meu querido, que tu é o melhor Paiaço que uma filha pode ter. Ainda bem!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Por trás do volante

Parabéns meu velho: Dia do Motorista! De certo tu estás aí, pelas estradas de Pedro, guiando uma nuvem adocicada. Tipo algodão doce no palito.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sonhos serelepes

É assim que eu te vejo, pai. Sempre faceiro, correndo - pois nos meus sonhos tu estás com tuas pernas -; atencioso, brincalhão e com a gente. Ao nosso lado. Feliz! Daí eu acordo feliz também.

sábado, 16 de julho de 2011

Sem culpas

Por muito tempo eu sentia culpa. Mas logo percebi que não tinha sido por minha causa. Mesmo assim, a percepção foi lenta, difícil e por muito tempo fiquei com um aperto no meu coração de que a responsabilidade, ou pior, a irresponsabilidade que causou a tua partida, meu pai, teria sido minha. Afinal, eu fiquei aquele sábado todinho ao teu lado, zelando pela tua saúde.

Hoje eu sei que ninguém teve culpa. Era a tua hora, meu velho. Chegava ao fim um sofrimento que só tu sabias ao certo o que lhe custava. Terminava um período de dor, antes que outro, maior ainda, se iniciasse. Deus escreve certo por linhas tortas, de verdade!

Também agradeço a Ele, e as entidades de luz as quais creio, por mais um dia. Nem era para eu estar na cidade. Era para estar sozinha, por mais um final de semana, 500 quilômetros longe de ti. Mas graças a eles eu tive a oportunidade de me despedir. De passar o dia todo ao teu lado, falando de tudo e de todos, inclusive. De rir, chorar e repreender; dividir teus anseios, aliviar o teu peito...

Porém, confesso meu Paiaço, que esse alívio, essa culpa, só partiu de mim meses depois. Mesmo o médico tendo dito, esclarecido, a princípio, as possíveis causas da morte. É impressionante como a gente se abalada com a partida dos nossos amores...

Hoje eu sei que tu estás bem, meu pai. Longe, mas bem. Jogando futebol, na posição de goleiro, num gramado tão verde, nunca visto antes por olhos mundanos. Dançando de rodopiar, de fazer piruetas, de sorriso torto, naqueles passos inusitados e tímidos, mas sempre fazendo bonito. Dirigindo tua caminhonete, no “braço”, como sempre fez.

Meu pai, já parei de contar o tempo, mas de nada adiantou. Continuo sentindo a tua falta. Demais!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Minha estrela

Creio que todos pensam que a morte é triste, mas tristes são as circunstâncias. Tristes somos nós. Ficamos nós depois que a estrela apaga. Ou volta pro céu.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Dentro ou fora do carrinho



Hoje eu odeio fazer compras em supermercado. Mas quando era pequena, fazia a festa com aqueles carrinhos para criança [ou anão]. Tu não deve se lembrar meu pai. Quase não ia ao super conosco. Embora minha cota no rancho mensal aumentava quando tu estavas presente. O valor saltava de 5 mil dinheiros para X mil dinheiros. Era tão bom aquele tempo...

Às vezes eu era simplória. Ou lógica. E conseguia trazer muitas guloseimas. Outrora, queria Sucrilhos Kelloggs, o pacote de Yakult, o chocolate Toblerone, o iogurte doble de morango, o arroz doce e a barra de doce de leite, tudo junto, no mesmo mês. Nem quando tu ia eu conseguia essa façanha. Mesmo assim, voltava feliz carregando meu pacote de compras em saco de papel.

Tirando algumas coisinhas meu pai, continuo comendo as mesmas delícias de antigamente. Agora, essa pequena parte da minha história tem mais uma função: lembrar do quanto tu fazia por mim, desde pequena. Mesmo que por pura gula.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Peter Parker e o Tio Ben



Eu não conheço a Stella. Só sei que ela mora no Rio de Janeiro. E que tem mãe viva. Mas o pouco que sei sobre sua perda paterna, me contenta.



É baseado em dois blogues, no da Stella, claro - Blog do Meu Pai e Para Francisco - que decidi falar do José para vocês. O meu paiaço...



Foi no Blog do Meu Pai que li esse quadrinho. E faço das palavras da Stella - a guria que escreve para o pai viver mais -, as minhas. "O Vitor Caffagi merece um abraço por essa histórinha."

segunda-feira, 20 de junho de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

O último pôr-do-sol

“A onda ainda quebra na praia,
Espumas se misturam com o vento.
No dia em que ocê foi embora,
Eu fiquei sentindo saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi
pensando nós dois.”

Osvaldo Lenine Macedo Pimentel. Ele é um músico tri legal, pai. Não cheguei a te apresentá-lo. Acho que parei na Rita Lee contigo. Lenine é recifense e é completo: toca, compõe, canta, arranja... Faz o escambal!

Ele também toca meu coração, minhas ideias, emoções. Lenine me lembra a saudade de ti, pai, mesmo que não tenhamos o escutado juntos. Tem uma música dele [Medo], que já não me intimida mais. Mas essa, que chora um amor partido, me lembra o senhor. Meu amor paterno perdido...

E, hora e outra, agora mais raramente, ainda penso comigo mesma: “Eu não acredito!”

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tu não estavas


Eu me surpreendo com o tempo. Sempre! Já passamos nosso primeiro Dia dos Pais sem ti, nossos aniversários sem ouvir tuas felicitações, teu aniversário sem a tua presença... Vivemos nosso primeiro Natal, o Réveillon e o Dia de Reis sem te abraçar e trocar presentes. Estivemos na praia, salgamos o corpo, tomamos caipira, fizemos churrasco, bebemos cerveja gelada e recebemos os parentes. E tu não estavas lá [em carne e osso, ao menos. A mãe trocou idade e ninguém foi comprar a tua encomenda. No último dia dos namorados ela também não ganhou presente. E nessa Páscoa, eu, ela e a Carol ficamos sem nossos chocolates...

Tu teimou muito nesses 70 anos, meu velho. E agora é difícil de acostumar sem as tuas reclamações, as tuas preocupações, as tuas piadas [sem graça por sinal], os teus comodismo, os teus mimos. Hoje, meu pai, cumpria a atividade de faxineira aqui no condomínio. Lembrei que, se tu tivesse aqui, estaria ao meu lado, me incentivando, me estimulando, me fazendo companhia. Senti tua falta, pai. Tu me faz – sempre – falta!

Daí olhei para o lado e vi o Shazan. Sentadinho na escada, no gramado, na rampa, na caixa d’água, me vendo varrer a frente. Sorri pra ele, pai. Mas queria sorrir pra ti...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

...



O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

Mário Quintana

domingo, 17 de abril de 2011

365 dias. ou um ano. ou 12 meses. ou cedo demais para os nossos corações apaziguarem...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Eu tive pai [amoroso]



Pai, obrigada pela criação e a convivência nesses 35 anos. Eu tive muita sorte meu velho. Não. Eu tive muito mais que isso: Amor e Carinho. Eu sei!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Congratulations

Parabéns pelo Dia de Elaine!

Dia do Jornalista!!!


Pai, que delicado que foi o Fifo hoje pela manhã. Deixou um bilhete na frente da TV do quarto com essa mensagem, antes de sair para o trabalho. Muito meigo ele.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Quase um ano...

Pai, tenho sonhado contigo desde que começou o mês. E tu tem estado tão lindo neles... Talvez seja sinal que esteja bem, aonde for que esteja. E me ajudando espiritualmente. O bom é que essa impressão me faz acordar feliz, embora saudosa.

Estamos rumo a primeira data marcante das nossas vidas aqui em casa e da tua pós vida: o ano um! No dia 17 de abril tu, surpreendentemente, foi embora e nos deixou sem chão. Depois desse choque, acredito que agora estejamos bem. Eu, ao menos, já não me culpo mais. E penso que a mamãe também.

Um ano pai... E mesmo assim, às vezes, ainda não acredito que tu não estás mais entre nós. Seguir a vida depois que tu partir foi automático, mas se acostumar com tua ausência não. Ainda não meu velho...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Vergonha

Pai, em alguns momentos eu me sinto envergonhada... Como posso ser assim e me equivocar tanto? Se estiver me vendo, velhinho, manda um sopro de esperança pra fortificar meu coração. E me desculpa por ficar tão vulnerável assim.

quarta-feira, 16 de março de 2011

E olha lá...

Pai, de repente me deu uma saudade aguda. Daquela que lembra o abraço de boas vindas, cada vez que chegava em casa, no amanhecer de uma viagem de 500 km. Eu te acordava velhinho e ganhava beijo babado também.

Sábado a Mara teve aqui em casa, pai. E ela disse algo que relutava a aceitar. Depois que vocês se vão, a dor da ausência demora a passar. Leva um tempo para a gente se habituar. No mínimo um ou dois anos. "E olha lá..."

sábado, 12 de março de 2011

Delírios


Depois dos 65 anos, meu pai teve várias internações [lembra né, velho?]. Numa delas, ele sentia tanta dor, que só morfina resolvia seu problema. O problema era o efeito colateral. Ele delirava pra caramba! Chegava até ser engraçado, se não fosse de cansar o lombo.

Numa dessas viagens químicas [deve ser a mesma sensação ou muito parecido com a viagem de um drogado] decidi me unir a ele. Não. Não roubei a farmacinha do hospital e nem usei outras drogas. Só a imaginação dele e a minha. Nossa, que loucura que foi...

Ondas gigantes e homenzinhos muito, mas muito pequenos invadiram o terraço do prédio ao lado. Várias vezes tive que mergulhar para não me afogar ou ser esmagada pela força do tsunami. Para não ser levada mar afora. Eu e meu pai.

Quando cansei, decidi surfar. O pai não gostou muito, mas já não aguentava mais fugir do que não dava para fugir. A melhor solução era "montar" na prancha e pegar a dita cuja. E quando o efeito do medicamento amenizou, os delírios passaram.

Pai, já não posso dizer o mesmo sobre a catástrofe natural que o Japão está vivendo nos últimos dias. Terremotos e tsunamis destruíram várias cidades daquele lado do Mundo. E quando tudo passou, foi diferente dos teus delírios, José. Milhares de pessoas morreram e outras dezenas de milhares estão desaparecidas. Os números são incertos, mas, mesmo assim; tristes e alarmantes.

E o pior meu velho, é que ainda há vazamentos radioativos das usinas... Será o fim do Mundo - meu velho -, do Japão ou só um prenúncio? E agora José?

segunda-feira, 7 de março de 2011

Vou ligar o som!

Pai, nesses meses todos tenho dormido até tarde no final de semana ou nos feriados. Coisa que adoro fazer quando não tenho absolutamente nada para fazer [o que é quase todos os dias]. Daí vem o teu filho, me acordar:

"Elaine? Levanta, vou ligar o som hein! Vou Ligar!!!"

Eu ignoro. Claro. Mas quer saber o que não dá para aguentar? Um barbado de 45 anos ouvindo funk, em alto e bom som, em pleno domingo ou feriado. O fim da picada, meu velho.

Pior! A coisa só acaba quando pulo da cama. É muito terrorismo...

domingo, 6 de março de 2011

Tempo, tempo, tempo...

Estamos em março meu velho. Daqui a 40 dias marca um ano de sua saída de cena. Olho pra trás e te vejo ali: sentadinho a pensar no futuro dos filhos, a estratejar a melhor maneira de trazer bem estar para todos. A sorrir e a cantar. A rir e a falar. Chorar. Calar.


sábado, 5 de março de 2011

Tristezas...

Tenho muito medo, mas um dos maiores é o trânsito. Fico tão insegura em relação a ele, em vários momentos. E creio, velho, tanto faz eu ser carona ou motorista, eu tremo igual. Há tanta gente inconsequente pilotando por aí... Sem respeito à vida, alheia ou a própria.

Quando tem feriados longos, como o de Carnaval e Páscoa, a gente já começa a ficar alerta. Muitos carros juntos, muitos jovens juntos, muitos motoristas novos também, nas mesmas estradas.

Tem aqueles que bebem muito, têm aqueles que podem ser vítimas de quem bebe muito. Tem a pressa. Ou só excesso de velocidade. Tem os impacientes, os intolerantes e os distraídos. Há vários fatores.

Na madrugada desse sábado pai, dois veículos grandes se chocaram. Um caminhão e um ônibus. Resultado: tragédia... E das grandes. Daquelas que geram muitas tristezas em diversos corações, agora abandonados.

Lembrei-me do acidente que sofreu enquanto trabalhava, pai. Um caminhoneiro, que admitiu ter dormido ao volante, entrou na traseira da Belina que dirigia. Um susto enorme meu velho. Mesmo que não tenha sofrido nada. Mas o fato de termos perdido o Vinicius há tão pouco tempo nos deixou sensível, na época. E temerários...

Hoje pai, sabe-se lá por que, eu rezo quando vou viajar. Peço proteção e a benção de quem me acompanha e me orienta sempre. E a ajuda de todos os espíritos de luz. Agora, incluo o senhor nessa prece também meu velho.

Não vou viajar neste carnaval, mas peço que auxilie os guias a manter motoristas e pedestres atentos nesse feriadão, meu pai. Chega de perdas e dor. É muito tristeza para um período onde deveria reinar somente a alegria.

terça-feira, 1 de março de 2011

O resultado das urnas


Pai, não te contei. Sabe quem é o presidente da República agora? Não. Claro que não! É a Dilma [Vana] Roussef, pai.

Essa mesma que tu estás pensando: ex secretária de estado de Minas, Energia e Comunicação. Também ex secretária da Fazenda de Porto Alegre e ex ministra das Minas e Energia. E o que consideraria pior no currículo pessoal dela [e até político], por algum motivo que desconheço, ex esposa de Carlos Araújo.

De certo tu já a levou no banco de trás do carro que trabalhava. Tu carregava todo mundo naquele Opalão, de cor azul estranho, naquela caminhonetona da mesma cor, e depois na Belina ou F1000 branca. Deve ter levado a secretária de estado também. Hoje presidente do Brasil.

Tinha história não é Paiaço, por trás daqueles volantes... Segredos de Estado, com certeza. E não contou para a gente. Nunca. Pena, por que adoro segredos, principalmente de gente grande.

Tu costumava dizer que tua função era dirigir, levar os caras aonde eles queriam, sem ouvir, falar, sem interferir nos negócios. Velho sábio... e motorista de confiança e requisitado da diretoria da companhia.

É pai. Tu diria que agora os tempos são outros. Mesmo com essa tua veia socialista, de operário, de democrático trabalhista. Na verdade, tu é que nem deveriam ser, pensar e agir – politicamente - todos os juízes desse país. No estilo: se é bom pro Brasil, é bom pra ti. Não é meu velho?
.
p.s.: Ah, tava quase esquecendo. O nosso problema [dos esquerdistas] é um vice peemedebista, José. Seja aonde for que estiveres meu velho, senta. E acredita nos teus olhos. Tem uma coligação nunca imaginado antes na história política desse país. Esdrúxula. É mesmo Michel Temer lá no Palácio da Alvorada, ao lado da ex guerrilheira...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sete décadas

Pai, deve estar ligado que hoje é o aniversário da mãe. Se em vida nunca esquecia a data, nesta sua outra vida, também deve lembrar. Pois então. Foi bem legal, velhinho. Não teve festa, mas comemoramos.

A sua irmã, Iara Madalena, ofereceu um almoço para a mãe - e quem ela quisesse convidar para a ocasião. Grupo seleto meu paiaço, mas bem estruturado. Só tinha peso pesado no restaurante. A começar pelos seus netos e a namoradinha do mais velho, até as tias velhas. Um barato...

É meu velho: 70 anos! Tu passou por isso meu velhinho. E, certamente, se estivesse aqui entre nós teria dado uma festa para a mãe. Uma grande festa... E teria sido muito mais legal, pois, tu sabia fazer o esquema, paiaço. E ainda estaria entre nós.

Mas isso não é mais possível nesse prisma. Então, vivamos aqui e tu ampara daí. E que venham muitas outras primaveras para a Odete, sempre com saúde e harmonia. Oxalá, meu pai!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Tá no sangue













Agora vocês sabem por que gosto tanto de carnaval. Está no sangue. Logo não posso evitar que a batucada e a magia que envolve a folia de Momo fazem comigo. Está no meu DNA. É herança genética. É de pai pra filha...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

E agora José? [II]

É meu velho, tu tinhas razão. Aliás, sempre... Mas hoje, quando comecei a somar despesas, ver o saldo bancário, e ainda perceber que precisava investir em alguns materiais de escritório [e afins], que me lembrei do que me dizia quando te pedia dinheiro: “O que será de vocês quando eu não estiver mais aqui?”

[21 de fev. de 2011]

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Tô numa boa




Bah! Como é bom fazer nada, muito bem. Estou virando especialista, pai. Acordar tarde, fazer o que se gosta, encontrar os amigos, se embelezar, curtir a família... São tantas as opções para alimentar o ócio criativo, que vou te dizer hein pai? Mas tu deve lembrar bem. Afinal, era aposentado.

Como é louca essa vida. Eu temia tanto em voltar para casa, por saber que teria que recomeçar, novamente. Temia ficar desempregada meses seguidos se voltasse para casa. Reviver aquela neurose de procurar emprego em classificados, por indicações de colegas e amigos, de buscar oportunidades por conta própria. De ver o dinheiro acabando, junto com as esperanças da recolocação no mercado de trabalho.

Agora estou aqui, numa boa meu velho. Há mais de seis meses em “férias”, promovendo o bem estar entre nós mesmo: a mãe, eu, o fifo e a gorda. E temos vivido harmoniosamente. É difícil estender isso para outros entes familiares que não seja as tias maternas e alguns poucos primos, que sabe bem quem são.

O círculo parece estar fechado e, confesso, talvez não precisasse abri-lo. Mas a parentada insiste em querer se aproximar, saber detalhes da nossa vida, em querer coordenar nosso cotidiano como se não tivessem suas próprias vidas para gerenciar. Então, tenho que dar razão para a mãe, melhor evitar proximidades demais, já que elas eram restritas antes, quando estavas aqui entre nós.

Enfim, o que tenho para te dizer pai, é que tu precisou partir para que eu voltasse para casa sem medo algum. E ainda vivesse bem, feliz, tranqüila, sem neuras. No início era tudo muito, mas muito triste, pai. Agora, vejo que me deste essa “coragem” de presente. Sinto-me forte José, o suficiente, para lutar pela união e a tranqüilidade de nossa família, de buscar meu bem estar pessoal e ainda buscar uma recolocação no mercado, sem ficar enlouquecida.

Essa parece ter sido minha herança. Obrigada meu paiaço. Estou feliz!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Eu me sinto em casa quando te vejo pai



Agora, isso só acontece quando assisto a esse comercial de tevê, como esse que a gente fez, José. Muito meigo que tu ficou, dançando ao final. Sorrindo... Dançando e sorrindo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Odete, traz a maizena



Pai, tu é muito engraçado. Por tua causa, rimos muito hoje pela manhã de domingo [6], enquanto íamos para a beirola. Há dias eu insistia para a família que o Bar Azul, estabelecimento famoso da Praia de Cidreira, fica perto de onde estávamos instalados. Mas, ninguém acreditava...

Na sexta-feira [4], o Fifo viu a numeração da guarita de salva-vidas que fica em frente ao bar. 180. Pronto! Eu tinha razão. Estávamos há apenas cinco guaritas da diversão alcoólica e litorânea do veraneio. Não convencido, meu irmão ficou contra a ideia de ir a pé, pela beira mar, até o ponto de lazer. Apostei, chantagiei e nada.

Ele mirava as guaritas e dizia que entre cada uma havia de uma a dois quilômetros. Minhas lembranças de adolescentes diziam que eram apenas dois mil metros no total. Mas não o convenci. Principalmente quando ele se lembrou da tua experiência, pai. É. Daquela vez em que decidiu ir da colônia de férias de Xangrilá até a plataforma de Capão da Canoa, a pé, sob o sol do meio dia, de sunga roxa e, claro, sem nenhum preparo físico para isso.

É como aquela música do mamute, pai, ao qual adaptarei agora: “O que aconteceu? Assadura! O mamute ficou assado...” Não teve outra. Rimos muito quando nos lembramos da cena, José. Tu entrando no apartamento, todo arreganhado e em direção ao quarto: “Odete, traz a maizena!”

Enfim; eu fui até o Bar Azul, pai - com a Ica. Não ficamos assadas e nem doloridas. Mas é por que fomos parando e descansando de quiosque em quiosque. Afinal, somos pretas e pobres, mas burras não.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Nas férias...

Estávamos na praia por dez dias. E advinha pai? A mãe hora estava descansando por cinco minutos, hora lendo. E com exceção do descanso, a leitura durava apenas esse período mesmo. Muito linda a minha velhinha, José.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Os netos felinos

Quatro Pês: Paz!

Agora temos duas crianças em casa, pai. A Brigitte Bardot, que é a sua preferida, e o Shazan, meu gato barriga verde e companheiro. De início José, a mãe conta que a Bri não deixava ninguém sentar na tua poltrona. Ela dormia e passava o dia ali, e quem se aproximasse para retirá-la, levava patada.

É pai. Quem diria que aquela gata peralta e que tu quase me fez devolver à zoonose da prefeitura iria sentir tanto assim a tua partida... Também, quem dera? Tu deste todos os mimos para ela. Depois de perder o medo de gatos, mais uma vez, ensinou-lhe as manias. Ela come só nuggets de ração e ninguém pode ir ao banheiro sem por um pouco no seu prato.

Lembro bem, meu velho, de quando eu tratava de um gato de rua. Foi quando tu perdeste o medo dos bichanos pela primeira vez, depois de ter se trancado – na infância - num quartinho escuro com um gato, que girava pelo rabo. O resultado não poderia ser outro: uma criança lanhada e traumatizada.

No início, o gato de rua entrava escondido e dormia no meu quarto. Ele ganhou o nome [e atendia] de Sofia Loren. Era alimentado por nós; o James, do segundo piso; e mais um vizinho do térreo. Em cada casa ele tinha um nome e atendia a todos. Mas era aqui que ele passava maior parte do tempo.

Também pai, quem resistiria a tanto carinho? Quando ele não estava aos meus pés, no quarto, sobre um tapete bem quentinho, acompanhando a escrita do meu trabalho de conclusão de curso; estava na sala, contigo, vendo filme e comendo gemada com vinho. Tu embebedavas o gato, pai, enquanto via tevê. Aliás, ele também gostava de ver televisão. Aquele gatinho era especial. Pena existir gente má nesse mundo – e mal amada.

Tu irias gostar do Shazan também, meu velho. Ele é impossível de terrível. Mas muito meigo e carente. Se tu soubesses pai, o quanto de choro meu esse gato ouviu calado, com uma expressão impotente no rosto... E o quanto eu o apertava quanto isso acontecia... Era para ele ter fugido de medo. Mas não! Ele me ama, e eu a ele. Assim como tu também gostava da Bri.

Pai, se dependesse do Sha, os dois felinos da casa viveriam em perfeita paz. Mas a Bri é hostil com ele até hoje. Creio, e a culpa é tua e da mãe, que ela tenha vivido, reinando, tempo demais conosco. Ela não dá arrego, velho. Só em momentos assim, de repouso, como nessa foto ai de cima. Ou seja: muito raro.

Shazan, depois do banho na petshop [a Bri fugiu pai, quando ouviu a palavra banho]

Brigitte Bardot, a gata porquinha... Mas linda!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Pastel com caldo de cana

Adoro pastel com caldo de cana. Tu sabes disso pai. Quando íamos ao centro de Porto Alegre, tu me levavas a uma das lancherias do Abrigo de Bondes da Praça XV de Novembro para comer. E claro: o pastel tinha que ter um ovo pela metade no recheio de carne.

Na época, a gente nem tava aí com as condições higiênicas do local. E eu até gostava das pombas [ratos de asas] que circulavam entre as pessoas. Só sabíamos que era bom demais tomar a garapa e comer o pastel. Algo construído na infância por ti, meu pai, e levado por mim em qualquer lugar que vá e enxergue essa iguaria popular.

Ontem, quando esperava a mãe do lado de fora de uma farmácia, olhei para o abrigo. Faz anos, a prefeitura municipal reformou o local. Tu deve lembrar disso José. Ainda estava aqui conosco. Mas, parece que agora eles querem implantar de volta uma linha de bonde, turístico, cuja uma das paradas está programada para ser ali. Onde na década de 30 era uma confluência deles.

Imagina pai, descer do bonde, em pleno século 21, e parar para tomar um caldo de cana e comer um pastel fresco, como nos velhos tempos? Delícia... Agora é torcer para que o projeto saia do papel. Sabe como é né pai, temos que esperar a vontade política dos governantes. Ou, quem sabe, a proposta complete ao menos um ano. Falta pouco e eles gostam de datas.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Pesadelo

Pai, essa semana eu tive um sonho horrível. Um pesadelo, na verdade. Na ilusão, me via escrevendo pra ti, como faço agora, contando que agora a mãe estava indo ao teu encontro. E chorava pai. Pelas duas perdas. Era um rio de lágrimas e dor como acontece na vida real com as pessoas da região serrana do Rio de Janeiro.

Ah, tu deve saber. Afinal, aí do céu tu deve saber tudo com antecedência. Os fluminenses sofrem com uma catástrofe climática desde o início do ano. Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo foram devastadas pelo desmoronamento de áreas devido a chuva intensa e interminável.

José, fala com o grande pai aí e pede para ele manerar, por favor... Tanto com a seca na região da campanha aqui do Rio Grande do Sul, quanto com as chuvas lá do Sudeste. Por que com a mãe, eu sei, tu estás de olho. Zelando. No final, foi só um sonho mau.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Vergonha tricolor



Ih, pai... Teu time, para mim, que sou colorada comprada com saco de balas – tu bem sabes disso -, vai de mal a pior. Agora, o técnico [ou professor] é o Renato Portaluppi. Ou Renato Gaúcho. Aliás, aquele outro gaúcho, mais jovem e ainda jogador, também está nessa história que vou te contar.

Creio, que o futebol do clube tricolor deve ter alguma influência com numerologia, astrologia ou similares. Nos últimos meses, dois desportistas cujos nomes começam com a letra R, são alvo das páginas de esportes dos tablóides do Sul. Engraçado. Os mesmos caras também se intitulam Gaúcho. O outro criou até uma marca: R10.

Não sei qual novela é a maior e mais divertida para nós, colorados. Se a do técnico ou do jogador. Teu time pai, tirou o professor do Bahia, na segunda divisão, quando ainda corria risco de descer. Ele veio para o Sul e fez exigências de rei. Não poderia se diferente. Renato Gaúcho sempre foi arrogante, teve aquela empáfia no campo e agora fora dele.

Pai, o cara ganha quase meio milhão de reais, passagens aéreas e auxílio moradia. Quando chegou a Porto Alegre, os trouxas, digo, torcedores, foram recepcioná-lo no aeroporto. Até seu neto, o Marlon, saiu da aula correndo e foi pra lá, esperar o cara, que nem deu os “ares” para o público. A maior palhaçada José. Mas o pior de tudo foi hoje. Ele se diz cansado demais para acompanhar o time [reserva] nos jogos do gaúchão pelo interior. Afirma que é capaz de comandar a equipe a distância. Pior! Só quer treinar o plantel de segunda a sexta-feira... O fim da picada, velho!

Já o R10 teve participação especial num novelão de final de ano. O empresário e irmão do atleta, Roberto Assis, ficou leiloando o passe do guri para três times: Flamengo, Palmeiras e..., claro, o Grêmio. Nem preciso te dizer o final né pai?! Nariz de palhaço para todos vocês, gremistas. Eu diria que agora, o cara poderia se chamar Ronaldinho Carioca. É rubro negro.



terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Parindo ausência

Ontem fez 9 meses. E hoje tem missa. Vou ser sincera contigo pai: não aguento mais ir em missas. Nunca fui fã desse ritiual. Embora, confesso, tenha feito as intenções no primeiro trimestre da tua partida. Porém, depois eu aprendi a conversar contigo. E agora também posso te escrever. Mas vou mesmo assim. E fico lá, tentando prestar atenção ao que o padre diz, enquanto a mãe reza.

Também conto os dias, pai. Eu conto os dias sim. Os meses... Aqui em casa todo mundo faz isso - em silêncio, mas faz. Talvez seja masoquismo; eu chamo de saudade, por que creio, não dói mais [tão forte], pai. Mas todos os dias 17, certamente, a criança que habita em nós troca de nome. E se chama Ausência. E em outros momentos ela volta a atender por saudade.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Cotidiano

Todo dia eu acordo com saudades, pai. Daí, lembro do teu jeitinho teimoso, que tenho igual; depois do balançar de ombros, que também puxei; das brigas por divergências de opinião e do gosto pela boemia. Bá, nunca houve uma filha tão parecida... E pai, agora sei que gosto do cotidiano também - e de, às vezes, quebrar as regras.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Éramos cinco...


Pertenço ao signo de Virgem. Como meu paiaço: José. Dizem os esotéricos, os místicos ou os curiosos, que as pessoas sob essa influência, quando analisadas segundo os personagens da Santa Ceia, correspondem a São Tomé. Parece bobagem minha, mas, do que não tenho certeza, a princípio preciso ver para crer.

Sou daquelas que quando vou à exposição de artes, sempre cometo o erro [e a falta de educação] de por o dedo, senão a mão inteira, na obra, para senti-la por completo. Talvez por isso também goste de abraçar as pessoas quando as encontro. O toque para afastar a incredulidade do que até os olhos possam me dizer o contrário.

Hoje sou mais crente. Em vários aspectos. Já falei isso no Cor de Rosa e Carvão, mas vou repetir. Há seis anos aproximadamente ganhei um mapa astral de um amigo e cliente. Fui com prazer ouvir a leitura do que os astros reservaram para mim ao nascer, além da interpretação dos trânsitos para o aquele momento.

Sobre mim [enfatizou o “oráculo] foi dito que sou uma pessoa voltada e com as raízes fincadas na família. Não acreditei. E o astrólogo, muito seguro de si e de seus conhecimentos, garantiu: “Então espere para ver. Vai ter um momento em que precisará voltar ao núcleo familiar para recarregar as energias, recuperar tuas forças”. Foi mais ou menos isso que ele disse. Eu, numa ansiedade pela independência [ou liberdade], lhe garanti que não precisava deles. No entanto, não demorou muito para que visse e acreditasse naquelas palavras. Ainda bem!

Por que só assim pude aproveitar um pouco mais do convívio com o meu velho. Ele não estava mais gozando de 100% de sua saúde, mas também pouco imaginava que partiria tão rapidamente e repentinamente. Afinal, depois da trombose, das pontes de safena, tudo estava estabilizado. Sossegado mesmo. Podíamos então usufruir do bom que a vida ainda pudesse nos proporcionar em família.

Setembro havia, então, virado o mês do reencontro dos filhos, parentes e amigos. No dia 7 ou no dia 11, tinha pandega aqui em casa, com “cerveja”. Porém, em 2010 não tivemos mais como escolher a melhor data para todos. Nos resta um único dia para festejar nesse período. Fiquei perneta. Ficamos sem chão. Meu paiaço não pôde esperar [sei lá o que] mais um pouco.
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Por isso, a exemplo do que faz a Cris Guerra no blog Para Francisco, farei aqui também, no E agora José? Só não sei para quem: se pra mim ou pra ti, pai. Vou ter que ver [e escrever] para crer.