terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Parindo ausência

Ontem fez 9 meses. E hoje tem missa. Vou ser sincera contigo pai: não aguento mais ir em missas. Nunca fui fã desse ritiual. Embora, confesso, tenha feito as intenções no primeiro trimestre da tua partida. Porém, depois eu aprendi a conversar contigo. E agora também posso te escrever. Mas vou mesmo assim. E fico lá, tentando prestar atenção ao que o padre diz, enquanto a mãe reza.

Também conto os dias, pai. Eu conto os dias sim. Os meses... Aqui em casa todo mundo faz isso - em silêncio, mas faz. Talvez seja masoquismo; eu chamo de saudade, por que creio, não dói mais [tão forte], pai. Mas todos os dias 17, certamente, a criança que habita em nós troca de nome. E se chama Ausência. E em outros momentos ela volta a atender por saudade.