segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sete décadas

Pai, deve estar ligado que hoje é o aniversário da mãe. Se em vida nunca esquecia a data, nesta sua outra vida, também deve lembrar. Pois então. Foi bem legal, velhinho. Não teve festa, mas comemoramos.

A sua irmã, Iara Madalena, ofereceu um almoço para a mãe - e quem ela quisesse convidar para a ocasião. Grupo seleto meu paiaço, mas bem estruturado. Só tinha peso pesado no restaurante. A começar pelos seus netos e a namoradinha do mais velho, até as tias velhas. Um barato...

É meu velho: 70 anos! Tu passou por isso meu velhinho. E, certamente, se estivesse aqui entre nós teria dado uma festa para a mãe. Uma grande festa... E teria sido muito mais legal, pois, tu sabia fazer o esquema, paiaço. E ainda estaria entre nós.

Mas isso não é mais possível nesse prisma. Então, vivamos aqui e tu ampara daí. E que venham muitas outras primaveras para a Odete, sempre com saúde e harmonia. Oxalá, meu pai!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Tá no sangue













Agora vocês sabem por que gosto tanto de carnaval. Está no sangue. Logo não posso evitar que a batucada e a magia que envolve a folia de Momo fazem comigo. Está no meu DNA. É herança genética. É de pai pra filha...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

E agora José? [II]

É meu velho, tu tinhas razão. Aliás, sempre... Mas hoje, quando comecei a somar despesas, ver o saldo bancário, e ainda perceber que precisava investir em alguns materiais de escritório [e afins], que me lembrei do que me dizia quando te pedia dinheiro: “O que será de vocês quando eu não estiver mais aqui?”

[21 de fev. de 2011]

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Tô numa boa




Bah! Como é bom fazer nada, muito bem. Estou virando especialista, pai. Acordar tarde, fazer o que se gosta, encontrar os amigos, se embelezar, curtir a família... São tantas as opções para alimentar o ócio criativo, que vou te dizer hein pai? Mas tu deve lembrar bem. Afinal, era aposentado.

Como é louca essa vida. Eu temia tanto em voltar para casa, por saber que teria que recomeçar, novamente. Temia ficar desempregada meses seguidos se voltasse para casa. Reviver aquela neurose de procurar emprego em classificados, por indicações de colegas e amigos, de buscar oportunidades por conta própria. De ver o dinheiro acabando, junto com as esperanças da recolocação no mercado de trabalho.

Agora estou aqui, numa boa meu velho. Há mais de seis meses em “férias”, promovendo o bem estar entre nós mesmo: a mãe, eu, o fifo e a gorda. E temos vivido harmoniosamente. É difícil estender isso para outros entes familiares que não seja as tias maternas e alguns poucos primos, que sabe bem quem são.

O círculo parece estar fechado e, confesso, talvez não precisasse abri-lo. Mas a parentada insiste em querer se aproximar, saber detalhes da nossa vida, em querer coordenar nosso cotidiano como se não tivessem suas próprias vidas para gerenciar. Então, tenho que dar razão para a mãe, melhor evitar proximidades demais, já que elas eram restritas antes, quando estavas aqui entre nós.

Enfim, o que tenho para te dizer pai, é que tu precisou partir para que eu voltasse para casa sem medo algum. E ainda vivesse bem, feliz, tranqüila, sem neuras. No início era tudo muito, mas muito triste, pai. Agora, vejo que me deste essa “coragem” de presente. Sinto-me forte José, o suficiente, para lutar pela união e a tranqüilidade de nossa família, de buscar meu bem estar pessoal e ainda buscar uma recolocação no mercado, sem ficar enlouquecida.

Essa parece ter sido minha herança. Obrigada meu paiaço. Estou feliz!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Eu me sinto em casa quando te vejo pai



Agora, isso só acontece quando assisto a esse comercial de tevê, como esse que a gente fez, José. Muito meigo que tu ficou, dançando ao final. Sorrindo... Dançando e sorrindo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Odete, traz a maizena



Pai, tu é muito engraçado. Por tua causa, rimos muito hoje pela manhã de domingo [6], enquanto íamos para a beirola. Há dias eu insistia para a família que o Bar Azul, estabelecimento famoso da Praia de Cidreira, fica perto de onde estávamos instalados. Mas, ninguém acreditava...

Na sexta-feira [4], o Fifo viu a numeração da guarita de salva-vidas que fica em frente ao bar. 180. Pronto! Eu tinha razão. Estávamos há apenas cinco guaritas da diversão alcoólica e litorânea do veraneio. Não convencido, meu irmão ficou contra a ideia de ir a pé, pela beira mar, até o ponto de lazer. Apostei, chantagiei e nada.

Ele mirava as guaritas e dizia que entre cada uma havia de uma a dois quilômetros. Minhas lembranças de adolescentes diziam que eram apenas dois mil metros no total. Mas não o convenci. Principalmente quando ele se lembrou da tua experiência, pai. É. Daquela vez em que decidiu ir da colônia de férias de Xangrilá até a plataforma de Capão da Canoa, a pé, sob o sol do meio dia, de sunga roxa e, claro, sem nenhum preparo físico para isso.

É como aquela música do mamute, pai, ao qual adaptarei agora: “O que aconteceu? Assadura! O mamute ficou assado...” Não teve outra. Rimos muito quando nos lembramos da cena, José. Tu entrando no apartamento, todo arreganhado e em direção ao quarto: “Odete, traz a maizena!”

Enfim; eu fui até o Bar Azul, pai - com a Ica. Não ficamos assadas e nem doloridas. Mas é por que fomos parando e descansando de quiosque em quiosque. Afinal, somos pretas e pobres, mas burras não.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Nas férias...

Estávamos na praia por dez dias. E advinha pai? A mãe hora estava descansando por cinco minutos, hora lendo. E com exceção do descanso, a leitura durava apenas esse período mesmo. Muito linda a minha velhinha, José.