terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Odete, traz a maizena



Pai, tu é muito engraçado. Por tua causa, rimos muito hoje pela manhã de domingo [6], enquanto íamos para a beirola. Há dias eu insistia para a família que o Bar Azul, estabelecimento famoso da Praia de Cidreira, fica perto de onde estávamos instalados. Mas, ninguém acreditava...

Na sexta-feira [4], o Fifo viu a numeração da guarita de salva-vidas que fica em frente ao bar. 180. Pronto! Eu tinha razão. Estávamos há apenas cinco guaritas da diversão alcoólica e litorânea do veraneio. Não convencido, meu irmão ficou contra a ideia de ir a pé, pela beira mar, até o ponto de lazer. Apostei, chantagiei e nada.

Ele mirava as guaritas e dizia que entre cada uma havia de uma a dois quilômetros. Minhas lembranças de adolescentes diziam que eram apenas dois mil metros no total. Mas não o convenci. Principalmente quando ele se lembrou da tua experiência, pai. É. Daquela vez em que decidiu ir da colônia de férias de Xangrilá até a plataforma de Capão da Canoa, a pé, sob o sol do meio dia, de sunga roxa e, claro, sem nenhum preparo físico para isso.

É como aquela música do mamute, pai, ao qual adaptarei agora: “O que aconteceu? Assadura! O mamute ficou assado...” Não teve outra. Rimos muito quando nos lembramos da cena, José. Tu entrando no apartamento, todo arreganhado e em direção ao quarto: “Odete, traz a maizena!”

Enfim; eu fui até o Bar Azul, pai - com a Ica. Não ficamos assadas e nem doloridas. Mas é por que fomos parando e descansando de quiosque em quiosque. Afinal, somos pretas e pobres, mas burras não.