sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Tô numa boa




Bah! Como é bom fazer nada, muito bem. Estou virando especialista, pai. Acordar tarde, fazer o que se gosta, encontrar os amigos, se embelezar, curtir a família... São tantas as opções para alimentar o ócio criativo, que vou te dizer hein pai? Mas tu deve lembrar bem. Afinal, era aposentado.

Como é louca essa vida. Eu temia tanto em voltar para casa, por saber que teria que recomeçar, novamente. Temia ficar desempregada meses seguidos se voltasse para casa. Reviver aquela neurose de procurar emprego em classificados, por indicações de colegas e amigos, de buscar oportunidades por conta própria. De ver o dinheiro acabando, junto com as esperanças da recolocação no mercado de trabalho.

Agora estou aqui, numa boa meu velho. Há mais de seis meses em “férias”, promovendo o bem estar entre nós mesmo: a mãe, eu, o fifo e a gorda. E temos vivido harmoniosamente. É difícil estender isso para outros entes familiares que não seja as tias maternas e alguns poucos primos, que sabe bem quem são.

O círculo parece estar fechado e, confesso, talvez não precisasse abri-lo. Mas a parentada insiste em querer se aproximar, saber detalhes da nossa vida, em querer coordenar nosso cotidiano como se não tivessem suas próprias vidas para gerenciar. Então, tenho que dar razão para a mãe, melhor evitar proximidades demais, já que elas eram restritas antes, quando estavas aqui entre nós.

Enfim, o que tenho para te dizer pai, é que tu precisou partir para que eu voltasse para casa sem medo algum. E ainda vivesse bem, feliz, tranqüila, sem neuras. No início era tudo muito, mas muito triste, pai. Agora, vejo que me deste essa “coragem” de presente. Sinto-me forte José, o suficiente, para lutar pela união e a tranqüilidade de nossa família, de buscar meu bem estar pessoal e ainda buscar uma recolocação no mercado, sem ficar enlouquecida.

Essa parece ter sido minha herança. Obrigada meu paiaço. Estou feliz!