quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tu não estavas


Eu me surpreendo com o tempo. Sempre! Já passamos nosso primeiro Dia dos Pais sem ti, nossos aniversários sem ouvir tuas felicitações, teu aniversário sem a tua presença... Vivemos nosso primeiro Natal, o Réveillon e o Dia de Reis sem te abraçar e trocar presentes. Estivemos na praia, salgamos o corpo, tomamos caipira, fizemos churrasco, bebemos cerveja gelada e recebemos os parentes. E tu não estavas lá [em carne e osso, ao menos. A mãe trocou idade e ninguém foi comprar a tua encomenda. No último dia dos namorados ela também não ganhou presente. E nessa Páscoa, eu, ela e a Carol ficamos sem nossos chocolates...

Tu teimou muito nesses 70 anos, meu velho. E agora é difícil de acostumar sem as tuas reclamações, as tuas preocupações, as tuas piadas [sem graça por sinal], os teus comodismo, os teus mimos. Hoje, meu pai, cumpria a atividade de faxineira aqui no condomínio. Lembrei que, se tu tivesse aqui, estaria ao meu lado, me incentivando, me estimulando, me fazendo companhia. Senti tua falta, pai. Tu me faz – sempre – falta!

Daí olhei para o lado e vi o Shazan. Sentadinho na escada, no gramado, na rampa, na caixa d’água, me vendo varrer a frente. Sorri pra ele, pai. Mas queria sorrir pra ti...