domingo, 11 de dezembro de 2011

Dèja vú

Numa das sessões com a terapeuta disse que sentia muita falta do meu pai. E que gostaria que meus filhos conhecessem o avô, soubessem como a presença dele foi importante para minha formação e como poderia ser na deles. Queria que meus filhos pudessem ter a oportunidade de ter a companhia e partilhar da sabedoria dele. Minha vontade era de dar a eles, toda a infância feliz que tive proporcionada pelo meu Paiaço. Mas não tenho como fazer isso. Não mais...


E a saudade só aumenta assim. Mas também, estou projetando uma falta no futuro. Eu sei... Também consigo explicar isso. Às vezes, o tempo atual não é suficiente para sustentar essa saudade. Daí eu olho pra frente e imagino como poderia ser, mas que nunca será.

A contra resposta que tive da psicóloga é que só eu sinto falta. Que, meus filhos, caso os tenha num futuro próspero, nunca sentirão falta daquilo que não conhecerão. Sim, faz sentido. Mesmo assim me choquei com a constatação. E, por aquele momento, a indignação e insatisfação por algo que entendi como minimização da minha dor fez com que esquecesse a ausência do meu velho.

Por hora também segui seus conselhos: lembrei dos momentos felizes. E são tantos... Afinal foram pouco mais de 35 anos de convivência e muitos acontecimentos neles. Só que a saudade é algo que não finda, embora a dor, essa ameniza ou se extingua.

Começo a pensar que questões que envolvem vida e morte se renovam em ciclos. Na mesma vida e sobre a mesma morte. Que nem dèja vú.