terça-feira, 15 de abril de 2014

Olho e saio andando...


É estranho... As pessoas gostam de te lembrar de datas difíceis, como a partida dos queridos. Eu nunca vou esquecer a data que meu pai desencarnou. Nem eu, nem meus irmãos, nem minha mãe. Bem que gostaríamos. Bem que queríamos, na verdade, que o velho chato e exigente estivesse aqui, presente, com as suas reclamações. Mas não está.

É isso que marca o dia 17 de abril. A ausência do José. Sei a data, sei a hora aproximada, lembro quando ele começou a despedir, embora, tenha feito questão de esperar minha mãe para o até logo.

Então, não sei a necessidade que as pessoas têm de bater na tua janela e, do nada, comentar que lembrou do seu Araújo, do tempo que ele ficava sentado ali na esquina do prédio. E, deixando a sequência vazia... Como que esperando complemento. Mas não dá. São 74 anos de histórias contadas e vividas para, numa conversa de vizinhos, ficar registrando fatos e momentos que só tem importância para quem é da família.


Nesses momentos, olho para o estranho, sim, para o vizinho estranho, para o comerciante estranho, para o marido da esteticista estranho, e sorrio. Junto, também, o meu olhar blasé e saio andando...