domingo, 29 de março de 2015

Pai e Filha



Comecei a esquecer a data em que meu pai desencarnou. Não sei se é 10 ou 11. E não faço força para lembrar o dia certo do mês de abril. Não acho importante. Importante para mim era seu aniversário. O nosso...

Enquanto estive fora, eu vinha para casa e comemorávamos. Ele perguntava o que queria comer, comprava cerveja e a casa ficava cheia de amigos e parentes. Depois, mais à noite, eu voltava para A Terra do Nunca com os braços cheios de presentes, o coração repleto de carinho e o rosto com sorrisos. Quase sempre a casa ainda cheia ficava para trás.

Quatro dias depois era o seu dia. Eu ligava e o felicitava e perguntava se tinha festa. Ele dizia que não, mas sabíamos que a casa estava cheia com quase as mesmas pessoas de poucos dias atrás.

Teve um ano em que não vim para casa. Um dos erros que cometi. Ele me ligou e não aguentei. Chorei. E ele chorou comigo, por que a gente se amava. A gente brigava e se amava. Então decidi que não precisava passar por isso nunca mais, por que eu não sou uma mulher solitária, sozinha ou abandonada. Não preciso forçar esse sabor. Esse sentimento, sensação ou momento. E meu pai, simples, humilde, mas sábio, tinha conhecimento disso...


Ele também me avisou de que um dia, ele iria morrer. E que era para estar preparada para isso.  É claro que não estava. Ninguém estava. Ninguém nunca está. Também dizem por aí que ninguém é insubstituível... mentira! Pai e mãe não são substituíveis. São os que temos. E a cinco anos, eu não o tenho mais.