sábado, 13 de agosto de 2016

Final de semana de saudade


Difícil não contar o tempo quando o sábado marca a passagem recente da mãe. Quatro meses pode parecer pouco. Mas ainda rasga o peito e faz correr uma lágrima quente.
Para não sentir por um, tem o Dia dos Pais. Merecida data por sinal. Ao menos para mim, cuja presença do meu Paiaço foi marcante por um tempo que avalio como pouco. Só 35 anos. Hoje, aos 41, já me conformo em ter ótimas lembranças de nossos momentos. Esta lágrima já não existe mais, só um sorriso tranquilo de amor.
É este sentimento que me faz regozijar com demonstrações tão lindas dos amigos e familiares, que compartilham de suas vivências paternas tão amorosas quanto a que vive. Parabéns queridos. Essa relação nos traz momentos de aprendizado e de amor que guardamos no peito e na memória, enquanto estivermos por aqui.
Que sigam assim, sempre compartilhando o melhor que há em vocês, com seus filhos, pais e avôs.
Feliz Dia dos Pais!

domingo, 31 de julho de 2016

Reverbera em mim


Pai, é domingo. Meu coração anda tranqüilo. Minha consciência está em paz. Estou bem, querido. E talvez até feliz, embora situações adversas para isso. Porém, não me sinto culpada.

Hoje, conversando com o Jarbas, ouvi tu falando... Me deu uma saudade de estar contigo. Ouvi-lo, mesmo que brevemente, vou te ouvir. Aquela entonação, aquele timbre, sabe pai, quando tu estavas em paz consigo e vinha com sua sabedoria paterna, a mesma que sempre contestava. Depois voltava atrás.

Ainda fico triste pai, ao lembrar que sou uma adulta órfã. Agosto inicia amanhã e em 13 dias serão quatro meses sem a mãe ao meu lado. Tu bem sabes que ela era pouco carinhosa, mas tinha um olhar tão doce comigo que me satisfazia. Me entendia, me acarinhava sem precisar tocar.

Essa semana lembrei do que minha ex-terapeuta frisou quando disse-lhe: “o que vou dizer para minha filha? Ela não terá o convívio do avô, a proteção, o carinho, a mesma relação que tive...” E a ela disse que não seria um problema para os meus filhos, eles não teriam a mesma falta que eu, pois não terão a ‘perda’ do que nunca tiveram.


É verdade. O sentimento de ausência é só meu, a saudade é só minha, a falta que a mãe me faz pertence a mim. Agora bem menos do que antes, mas ainda conjugo verbos com o pronome possessivo. A saudade reverbera em mim.

sábado, 16 de julho de 2016

Chorando saudades


 
Oi pai. Coisa estranha... hoje, passei em frente a uma funerária e haviam pessoas na sua calçada. Pensei: que dia bonito para se morrer. Se é que existe dia bom ou dia ruim para se morrer. E em seguida lembrei da mamuska. Ela se despediu de nós num dia de sol, num dia 13. Pensaria que tivesse sido um bom dia se não fosse minha mãe...

Ainda é muito difícil aceitar a partida dela. Sinto muito sua falta. Me dá um aperto de saudade no peito que não cessa.

Deve ser por que ela era minha amiga. Minha confidente. Minha conselheira. Minha fã. Minha parceira. Meu amorzão.  Nos últimos tempos minha filha. Minha mãe. E mães não deviam morrer, jamais, somente voar para longe e voltar sempre que precisássemos conversar sobre algo importante na nossa vida.

Paiaço, nós últimos 17 dias não tive tempo de pensar em quem me falta ao meu lado. O trabalho intenso me toma por inteiro. Deito em minha cama nova e durmo em segundos, praticamente.

Mas a vida é feita de flash também. E tudo me leva a lembrança dela meu pai. E, de repente, me vejo chorando saudades...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Uma das Três Marias


Faz tempo que não passo por aqui. Por vários motivos. Um deles, certamente, não é por que te esqueci meu pai, mas por que estive envolvida demais com a saúde da mãe. E tu meu paiaço, já deve saber, ela agora é uma das Três Marias.

Maria Odete agora está ao teu lado. É nisso que creio. Minha missão com ela está cumprida. Minha promessa a ti, também. Promessa essa que nem lembrava até ela se despedir de mim no dia 13 de abril. No mesmo mês em que desencarnastes...

Foram dias difíceis meu pai, aliás, ainda estão sendo. Até mais agora.A ausência dela me deixou sem chão, bem mais do que imaginaria. Quando um de seus médicos nos desenganou, nenhum de nós quis acreditar. Como nos preparar para a despedida quando a víamos mais disposta? Mas a medicina só sabe explicar o que vai no físico, o que está no corpo. Na alma, no espírito, só Deus sabe e passar por esse rito está sendo um duro aprendizado.

Que bronca essa que tu me arrumou hein pai?! Eu, tão ingênua, assumi algo que nem sabia do que se tratava. Incumbiu-me de zelar por ela e partiu. Velho esperto... e se dizia paiaço ainda.

No entanto, por este lado estou tranquila. Não me arrependo de nada do que fiz. Ao contrário. Faria tudo novamente e até mais e melhor se pudesse, com ou sem promessa. Mas há seis anos não tive tempo para experimentar o teu luto, de fato. E de uma hora para outra me tornei responsável por assuntos que até então era apenas causa. Agora é diferente. E tão mais cruel... Continuo como articuladora das mesmas questões e sem condições emocionais para isso. Sozinha. E sem novos objetivos, metas, foco.

Estou buscando ajuda, meu pai. Preciso. Bem sabe que falo contigo a toda hora. Peço-lhe, junto ao pai divino, que me ilumine nesse momento de angústia e de dor. Pois, a estrela que brilhava ao meu lado, está mais viva aí com vocês.