segunda-feira, 27 de junho de 2016

Uma das Três Marias


Faz tempo que não passo por aqui. Por vários motivos. Um deles, certamente, não é por que te esqueci meu pai, mas por que estive envolvida demais com a saúde da mãe. E tu meu paiaço, já deve saber, ela agora é uma das Três Marias.

Maria Odete agora está ao teu lado. É nisso que creio. Minha missão com ela está cumprida. Minha promessa a ti, também. Promessa essa que nem lembrava até ela se despedir de mim no dia 13 de abril. No mesmo mês em que desencarnastes...

Foram dias difíceis meu pai, aliás, ainda estão sendo. Até mais agora.A ausência dela me deixou sem chão, bem mais do que imaginaria. Quando um de seus médicos nos desenganou, nenhum de nós quis acreditar. Como nos preparar para a despedida quando a víamos mais disposta? Mas a medicina só sabe explicar o que vai no físico, o que está no corpo. Na alma, no espírito, só Deus sabe e passar por esse rito está sendo um duro aprendizado.

Que bronca essa que tu me arrumou hein pai?! Eu, tão ingênua, assumi algo que nem sabia do que se tratava. Incumbiu-me de zelar por ela e partiu. Velho esperto... e se dizia paiaço ainda.

No entanto, por este lado estou tranquila. Não me arrependo de nada do que fiz. Ao contrário. Faria tudo novamente e até mais e melhor se pudesse, com ou sem promessa. Mas há seis anos não tive tempo para experimentar o teu luto, de fato. E de uma hora para outra me tornei responsável por assuntos que até então era apenas causa. Agora é diferente. E tão mais cruel... Continuo como articuladora das mesmas questões e sem condições emocionais para isso. Sozinha. E sem novos objetivos, metas, foco.

Estou buscando ajuda, meu pai. Preciso. Bem sabe que falo contigo a toda hora. Peço-lhe, junto ao pai divino, que me ilumine nesse momento de angústia e de dor. Pois, a estrela que brilhava ao meu lado, está mais viva aí com vocês.