domingo, 31 de julho de 2016

Reverbera em mim


Pai, é domingo. Meu coração anda tranqüilo. Minha consciência está em paz. Estou bem, querido. E talvez até feliz, embora situações adversas para isso. Porém, não me sinto culpada.

Hoje, conversando com o Jarbas, ouvi tu falando... Me deu uma saudade de estar contigo. Ouvi-lo, mesmo que brevemente, vou te ouvir. Aquela entonação, aquele timbre, sabe pai, quando tu estavas em paz consigo e vinha com sua sabedoria paterna, a mesma que sempre contestava. Depois voltava atrás.

Ainda fico triste pai, ao lembrar que sou uma adulta órfã. Agosto inicia amanhã e em 13 dias serão quatro meses sem a mãe ao meu lado. Tu bem sabes que ela era pouco carinhosa, mas tinha um olhar tão doce comigo que me satisfazia. Me entendia, me acarinhava sem precisar tocar.

Essa semana lembrei do que minha ex-terapeuta frisou quando disse-lhe: “o que vou dizer para minha filha? Ela não terá o convívio do avô, a proteção, o carinho, a mesma relação que tive...” E a ela disse que não seria um problema para os meus filhos, eles não teriam a mesma falta que eu, pois não terão a ‘perda’ do que nunca tiveram.


É verdade. O sentimento de ausência é só meu, a saudade é só minha, a falta que a mãe me faz pertence a mim. Agora bem menos do que antes, mas ainda conjugo verbos com o pronome possessivo. A saudade reverbera em mim.

sábado, 16 de julho de 2016

Chorando saudades


 
Oi pai. Coisa estranha... hoje, passei em frente a uma funerária e haviam pessoas na sua calçada. Pensei: que dia bonito para se morrer. Se é que existe dia bom ou dia ruim para se morrer. E em seguida lembrei da mamuska. Ela se despediu de nós num dia de sol, num dia 13. Pensaria que tivesse sido um bom dia se não fosse minha mãe...

Ainda é muito difícil aceitar a partida dela. Sinto muito sua falta. Me dá um aperto de saudade no peito que não cessa.

Deve ser por que ela era minha amiga. Minha confidente. Minha conselheira. Minha fã. Minha parceira. Meu amorzão.  Nos últimos tempos minha filha. Minha mãe. E mães não deviam morrer, jamais, somente voar para longe e voltar sempre que precisássemos conversar sobre algo importante na nossa vida.

Paiaço, nós últimos 17 dias não tive tempo de pensar em quem me falta ao meu lado. O trabalho intenso me toma por inteiro. Deito em minha cama nova e durmo em segundos, praticamente.

Mas a vida é feita de flash também. E tudo me leva a lembrança dela meu pai. E, de repente, me vejo chorando saudades...