domingo, 26 de março de 2017

Numa nuvem há três estrelas


Oi pai. Tenho andado ausente por aqui. São tempos difíceis na família e confesso que sorrir genuinamente necessita de um bom motivo, ultimamente. Mas um bom motivo mesmo! Senão, eu finjo.

As pessoas ficam menos tristes quando eu manifesto a falsa alegria. Se choro, ou fico séria, cabisbaixa, elas se preocupam, tentam me consolar, dizem palavras que soam sem sentido para mim. E acabo ficando mais abatida. Isolada às vezes. Por isso finjo. Não quero mais tristeza a minha volta. As minhas por si só já não dou conta. Disfarço o desgosto por mim e por elas.

E não faço isso por vontade, por gosto. Mas por que tenho buscado várias alternativas para driblar esses momentos nefastos. Mas o luto não é algo que se vai assim, depois de sete dias, um mês ou três da despedida. Ele vem para ficar e sim, só o tempo para fazer com que não sintamos mais dor, só boas lembranças.

Assim é contigo pai. Hoje eu consigo falar em ti, lembrar, citar um momento, na maioria das vezes, engraçado, sem dor ou lágrimas. Se choro nessas situações, é de rir. De alegria por ter tido a sorte de conviver contigo, de ser tua filha, ter tido teus ensinamentos.

Só que hoje, não estou conseguindo segurar. Quando já me habituava a viver sem a mãe ao meu lado, veio essa coisa doida que é o AVC Hemorrágico e levou a mana. Sabe, arrancou de mim, como se fosse erva daninha, que precisa puxar pela raiz, de uma só vez. Aquelas coisas que não se explica, que não se entende. Que não se entende...

Agora vocês são três na nuvem. Segura as pontas aí velho. Que para mim: chega! Está de bom tamanho.